Em entrevista coletiva na tarde deste sábado (28), o superintendente da Concórdia Saneamento, José Roberto Epstein, explicou as causas e as medidas adotadas para mitigar a crise no abastecimento de água que atinge parte da cidade desde a quebra de bombas na captação de água bruta do Rio Jacutinga, na madrugada de quarta-feira.
Duas das três bombas responsáveis pelo recalque de água bruta na captação do Jacutinga quebraram quase simultaneamente. A estrutura responde por cerca de 85% da capacidade de produção do sistema. Com apenas uma bomba operando, a produção caiu cerca de 50% na captação principal, afetando a Estação de Tratamento de Água (ETA) Floresta. Segundo Epstein, a ETA Floresta, que opera normalmente a 200 L/s (720 mil L/h), está trabalhando no máximo a 120 L/s, o que representa forte redução da vazão e limita o abastecimento nos bairros atendidos por essa planta.
Onde os efeitos são maiores
Devido à combinação de baixa vazão e topografia acidentada, a empresa tem feito manobras operacionais (fechamento/abertura de registros para direcionar fluxo) em vez de rodízios fixos por bairro. As maiores dificuldades concentram-se em áreas abastecidas pela ETA Floresta, com destaque para:
• Primavera (com atendimento por caminhões-pipa, priorizando condomínios e locais há mais de 24h sem água);
• Bom Pastor (região alta, de difícil pressurização);
• Parque de Exposições;
• Industriários e Santa Cruz (priorizados ao longo do dia para recomposição dos reservatórios);
• Nações (abastecimento intermitente);
• Trechos altos de bairros como Merlo e Portinari, além de pontos isolados em Imigrantes e Salete.
“A rede é interligada, e as manobras podem afetar parte de um bairro e, ao mesmo tempo, melhorar outro. Por isso, a situação é dinâmica”, pontuou o superintendente. A ETA Linha São Paulo segue operando em cerca de 95% de sua capacidade. Bairros como Estados, Petrópolis, Vila Nostra, Natureza e Contorno têm apresentado menos problemas, ainda que com picos de intermitência em horários de alto consumo.
O que está sendo feito agora
• Sete caminhões-pipa atendem prioritariamente condomínios, supermercados, restaurantes e prédios com maior concentração de pessoas. A companhia ressalta que não é possível atender casa a casa, salvo situações excepcionais de saúde, pela limitação logística.
• A empresa mobilizou equipes eletromecânicas e parceiros regionais para recuperar as bombas danificadas.
• Em caráter emergencial, dois conjuntos de bombas a diesel, fornecidos por uma empresa de Joinville, serão instalados neste domingo para elevar a vazão da captação até a conclusão da manutenção das bombas principais.
Prazos e expectativas
A expectativa operacional é montar os conjuntos a diesel no domingo, para tentar recuperar a vazão. Epstein enfatiza que recuperar a captação não significa normalização imediata: é preciso repor os níveis de reservatórios e pressurizar trechos altos da rede.
Com isso, a normalização deve ocorrer de forma gradual entre segunda e terça-feira, mantendo-se caminhões-pipa para acelerar a recomposição nos pontos mais críticos.
Manobras operacionais
Concórdia possui centenas de pontos de bombeamento e desníveis importantes. Para levar água a bairros altos, é necessário pressurizar trechos em sequência. Por isso, o planejamento prioriza manobras operacionais temporárias, que mudam conforme os níveis dos reservatórios e o consumo da população.
Orientações à população
• Consumo consciente: adie usos não essenciais (lavagem de calçadas, carros, banhos longos, irrigação).
• Caixa-d’água: imóveis com reservação pequena (250–500 L) sentem o reflexo mais rápido; use a água com prioridade para higiene, preparo de alimentos e saúde.
• Comércio e serviços com grande fluxo de pessoas serão priorizados no atendimento por caminhões-pipa.
Antes do incidente de quarta-feira, o sistema de abastecimento operava com sobra de água, a ponto de desligar estações. A falha foi mecânica em equipamentos de alta complexidade.
Como medida estrutural, a Concórdia Saneamento já encomendou estudos de retrofit e está em processo de aquisição de uma quarta bomba para atuar como reserva estratégica — reduzindo o risco de novos episódios. “Não vamos parar até restabelecer 100% do abastecimento”, afirmou Epstein.
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