qui, 30 abr 2026, 21:59:42

Confira a previsão climática para o próximo trimestre

No 241º Fórum Climático Catarinense, realizado em 28 de abril, meteorologistas da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina, da Epagri/Ciram e do AlertaBlu, juntamente com profissionais e pesquisadores de instituições de ensino, como o IFSC e a UFSC, analisaram a previsão climática para Santa Catarina no próximo trimestre.

O cenário de El Niño vem sendo amplamente divulgado nos últimos meses. Meteorologistas já consideram consenso a formação do fenômeno no decorrer do inverno deste ano, com mais de 80% de chance de configuração no trimestre de Junho, Julho e Agosto (Figura 1).

De acordo com as atualizações mais recentes, modelos climáticos indicam que fenômeno deve ganhar força rapidamente e alcançar intensidade forte durante a primavera, com anomalias de temperatura da superfície do mar superiores a 1,5°C no Oceano Pacífico Equatorial. Um El Niño forte não implica, necessariamente, na ocorrência de eventos extremos, mas aumenta a probabilidade desses episódios acontecerem. 

Figura 1: Previsão probabilística do fenômeno El Niño – Oscilação Sul nos próximos trimestres. Fonte: Climate Prediction Center (CPC).

No Sul do país, a influência do fenômeno pode ser sentida antes mesmo da sua configuração completa. Assim, para o próximo trimestre, a tendência é de aumento gradual na atuação de sistemas meteorológicos que favorecem a chuva em Santa Catarina. Além disso, com o oceano mais aquecido, a atmosfera também tende a aquecer, por isso são esperadas temperaturas acima da média para o período.

Em maio, a mudança tende a ser mais sútil, já que aprecipitação ainda tende a ocorrer de forma mais irregular, semelhante ao observado nos últimos meses. Assim, mesmo com a frequente passagem de frentes frias e a formação de ciclones, comuns nesta época, os volumes de chuva ainda tendem a ser menores ao esperado para o mês. Além disso, com a chegada de massas de ar frio, esperam-se temperaturas mais baixas ao longo do mês de maio. 

A mudança se torna mais perceptível a partir de junho, período em que inicia o inverno. Os modelos climáticos indicam que os meses dejunho e julho devem registrar volumes de precipitação dentro a acima da média, com chuvas mais frequentes e temporais mais intensos.

COMPORTAMENTO NORMAL

O trimestre de maio, junho e julho corresponde, do ponto de vista climatológico, ao outono e ao início do inverno em Santa Catarina. O período é caracterizado por mudanças graduais nos padrões de precipitação e temperatura, típicas de uma fase de transição.

Em maio e junho, as instabilidades voltam a se intensificar de forma gradual, com leve aumento nos volumes de chuva em relação a abril. O cenário está associado à atuação mais frequente de frentes frias e ciclones extratropicais. No período, os acumulados tendem a ficar entre 100 e 150 mm na maior parte do estado, superando esse patamar nas áreas do Oeste.

Em Julho, os volumes diminuem em Santa Catarina, com valores abaixo de 100mm no litoral e norte catarinense. Nas áreas do Grande Oeste ao Sul, os valores marcam entre 100 e 150mm.

Quanto às temperaturas, a partir de maio observa-se declínio gradual, em função das primeiras incursões de massas de ar frio mais significativas do ano. O mês de junho é um dos mais frios, sendo comuns episódios com temperaturas mínimas abaixo de 10°C, enquanto as máximas costumam permanecer próximas dos 20°C.

Figura 2: Climatologia da precipitação de Santa Catarina nos meses de (a) maio, (b) junho e (c) julho. Fonte: SDC/SC através de dados da EPAGRI.

HISTÓRICO DE OCORRÊNCIAS

De acordo com o Perfil Histórico de Desastres do Plano Estadual de Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina (PPDC-SC), que reúne uma série de 29 anos (1995–2019) e totaliza 5.540 ocorrências de desastres, observa-se que os eventos associados a chuvas mais intensas concentram-se predominantemente entre os meses de setembro e março (Figura 3).

O trimestre composto por maio, junho e julho apresenta uma menor participação no total anual de ocorrências, embora ainda registre episódios relevantes. Em maio, observa-se um pico relativo, seguido de diminuição no número de eventos nos meses de junho e julho.

Figura 3. Distribuição mensal do total de ocorrências (1995-2019). Fonte: UFSC, 2020.

As ocorrências associadas a vendavais nos meses de maio, junho e julho situam-se em níveis baixos, significativamente inferiores aos registados na primavera e no verão (Figura 4). Esses eventos estão, em geral, associados à atuação de ciclones e frentes frias, que favorecem a ocorrência de temporais capazes de provocar vendavais localizados, porém intensos.

Figura 4. Distribuição mensal das ocorrências por vendavais. Fonte: UFSC, 2020.

A ocorrência de enxurradas apresenta o mínimo anual, junto com o mês de Agosto, por conta da atmosfera mais seca nesta época do ano. Os eventos de enxurradas voltam a ficar mais frequentes a partir de agosto. 

Figura 5. Distribuição mensal de ocorrências relacionadas à enxurradas (1995-2019). Fonte: UFSC, 2020.

RECOMENDAÇÕES

A Proteção e Defesa Civil reforça que este período, apesar da menor frequência, apresenta potencial para tempestades severas. Por isso, a SDC recomenda que a população fique atenta aos alertas de tempestades com risco de ventos fortes, granizo e chuvas intensas. 

Durante temporais com raios, rajadas de vento e granizo, busque local abrigado, longe de árvores, placas e de outros objetos que possam ser arremessados. Em casa, busque ficar no cômodo central ou no banheiro, já que geralmente são de alvenaria e as janelas são menores. Se estiver na praia, jamais fique na água.

Em casos de chuva intensa, evite o contato com as águas e não transite em locais alagados, pontes e pontilhões submersos. Cuidado com crianças próximas a rios e ribeirões. Em casos de movimentos de massa, atente-se à inclinação de postes e árvores, a qualquer movimento de terra ou rochas próximo à sua residência e ao aparecimento de rachaduras em muros e paredes.

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