ter, 11 ago 2026, 10:24:31

Wesley Filho é nomeado CEO global da JBS e comando volta às mãos da família

Wesley Filho é nomeado CEO global da JBS e comando volta às mãos da família
Wesley Batista Filho (e) assumirá o cargo de Gilberto Tomazoni (d) — Foto: Divulgação/JBS

Após oito anos à frente da maior companhia de carnes do mundo, Gilberto Tomazoni cederá a cadeira de CEO global da JBS a Wesley Batista Filho, filho de Wesley Batista, que é sócio do irmão Joesley na J&F, holding que controla a empresa. A chegada de Wesley Batista Filho marca o retorno da família ao comando executivo global da JBS, ocupado por seu pai há mais de dez anos.

A nomeação de Wesley Filho, que há três anos lidera os negócios da JBS nos Estados Unidos, faz parte de uma transição planejada há mais de dois anos e não deve significar ruptura com a estratégia adotada por Tomazoni até então.

“A estratégia que o Tomazoni vem liderando nos últimos oito anos como CEO, eu tive a honra de ter feito parte da equipe que a executou, então há um alinhamento completo do que vamos fazer no futuro”, disse Wesley Batista Filho ao Valor. “Será uma transição bastante simples do ponto de vista de continuidade”.

Hoje com 34 anos, Wesley Filho começou sua carreira na JBS em 2011 como trainee, na operação de carne bovina no Colorado, nos Estados Unidos, antes de seguir para a área de exportação de carne bovina em São Paulo. Depois, liderou as operações de carne bovina no Uruguai, Paraguai e Canadá, atuando na compra de gado, produção e execução comercial. Em 2018, assumiu como CEO da JBS Brasil, acumulada dois anos depois com a liderança da Seara. Em 2022, se tornou presidente global de operações, supervisionando as Américas do Norte e do Sul, Europa e Oceania, até se tornar CEO da JBS USA.

“Wesley Filho passou pelas três praças que decidem a companhia — Brasil, Seara e EUA—, tendo comandado a operação americana justamente no pior momento do ciclo do gado. Promover quem atravessou o vale sinaliza que a companhia trata a compressão [de lucros] na América do Norte como cíclica, não gerencial, e quer continuidade na condução da recuperação”, disse o analista Luca Vello, da Genial Investimentos.

O ponto de atenção, segundo Vello, é a percepção que o mercado, em especial o americano, terá sobre o anúncio. “A companhia construiu a listagem em Nova York para atrair uma base institucional americana que é sensível a controle executivo familiar.” Ontem, os Brazilian Depositary Receipts (BDRs) da JBS fecharam em baixa de 4,44%, a R$ 68,89.

Outro analista, que pediu anonimato, avaliou a escolha como positiva. Segundo ele, Wesley Filho foi “construído para a posição”, tem “notável profundidade” de conhecimento do setor e da operação.

Ao Valor, Wesley Filho disse que pretende fortalecer novas frentes de atuação da empresa, como o mercado da Indonésia. Na semana passada, a JBS anunciou uma joint venture com o fundo soberano do país asiático, com vistas a captar até US$ 5 bilhões para aquisições e expansões. O mercado halal, de alimentos produzidos em conformidade com os preceitos da lei islâmica, também oferece oportunidades, bem como as operações dos Estados Unidos e Brasil.

“No Brasil, já fizemos bastante investimentos na Seara, mas ainda tem mais para ser feito. E sem dúvida nenhuma o negócio do ovo, em parceria com a Mantiqueira, é um grande foco de crescimento. Nos Estados Unidos, no que diz respeito a marcas, temos como continuar crescendo, estamos animados, e também construindo novas fábricas”, afirmou.

Tomazoni deixará o cargo após 14 anos na empresa, oito como CEO global. Ele conduzirá o processo de transição, antes de assumir as funções de vice-presidente do conselho de administração e “senior advisor”. Também seguirá como presidente do conselho de administração da Pilgrim’s Pride e assumirá a presidência do Conselho do Instituto J&F.

Sob sua gestão, a JBS expandiu sua receita em 73%, para US$ 86,2 bilhões, e ampliou a atuação para novas categorias, com o fortalecimento do portfólio de marcas e produtos de maior valor agregado. A empresa também concluiu sua listagem na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), passo havia anos ambicionado pela possibilidade de acessar um espectro mais amplo de investidores globais.

“Wesley está muito preparado para essa sucessão, trabalhamos de perto há mais de dez anos e conheço a capacidade de execução dele, de comprometimento, determinação, entregar resultados superiores, seu foco em desenvolver pessoas. Estou muito feliz que teremos uma continuidade do que viemos fazendo”, disse Tomazoni em entrevista. “O maior legado de um CEO é poder fazer seu sucessor. Até o ano que vem vamos trabalhar juntos para que a companhia não tenha nenhum impacto com essa mudança. (Globo Rural)

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