Quase três anos após o duplo homicídio que chocou Treze Tílias e teve repercussão em toda Santa Catarina, os dois acusados pelas mortes de Marisa Mergener e Reginaldo Tonet serão julgados pelo Tribunal do Júri. A sessão está marcada para 5 de novembro. Os dois permanecem presos preventivamente.
O crime aconteceu nas primeiras horas de 1º de janeiro de 2024, após o casal retornar para casa depois das comemorações de réveillon. Conforme a investigação, Marisa e Reginaldo foram surpreendidos dentro da residência e mortos a tiros.
A investigação apontou que o crime teria sido motivado por desavenças relacionadas à herança. Como o casal não tinha filhos, a acusação sustenta que uma das rés teria planejado a morte do próprio irmão e da cunhada com o objetivo de obter vantagem patrimonial.
A denúncia foi apresentada pela 3ª Promotoria de Justiça da Comarca de Joaçaba e recebida pela Justiça. Segundo o Ministério Público, a mulher teria participado da articulação do crime, enquanto o companheiro dela teria sido responsável pela execução dos homicídios.
Ainda conforme a acusação, os dois teriam atuado conjuntamente na preparação e também após as mortes, inclusive com auxílio material e moral, combinação de versões e ocultação ou eliminação de vestígios para dificultar as investigações.
Quatro qualificadoras
Conforme o Portal Michel Teixeira, o Ministério Público atribui aos homicídios quatro qualificadoras: motivo torpe, emboscada, meio cruel e uso de arma de fogo de uso restrito.
A acusação sustenta que o motivo torpe estaria relacionado ao interesse na herança. Já a emboscada teria ocorrido porque o executor teria aguardado as vítimas nas proximidades da residência e realizado o ataque quando elas estavam desprevenidas.
O meio cruel é apontado sob o argumento de que o casal teria sido perseguido dentro da própria casa, enquanto os disparos eram realizados de maneira intervalada, prolongando o sofrimento.
A denúncia também considera o uso de arma de fogo de uso restrito como qualificadora.

Feminicídio contra Marisa
No caso de Marisa Mergener, o Ministério Público pede ainda o reconhecimento de feminicídio. A acusação sustenta que a morte ocorreu em contexto de violência doméstica e familiar, considerando a relação de parentesco entre a vítima e os acusados.
A definição caberá aos jurados durante o julgamento.
Réu também responde por porte ilegal de arma
Além dos dois homicídios, um dos acusados também responde por porte ilegal de arma de fogo.
Segundo o Ministério Público, após os assassinatos, o executor teria fugido e ocultado a pistola utilizada no crime. A arma, apontada como de uso restrito, não foi localizada durante as investigações.
No julgamento, os jurados deverão analisar as provas produzidas no processo e decidir se os acusados são culpados ou inocentes. Em caso de condenação, a pena será definida pelo juiz-presidente do Tribunal do Júri, de acordo com as circunstâncias reconhecidas pelos jurados.



