O vírus Nipah possui letalidade de até 75% e potencial epidêmico, mas o risco de pandemia é considerado baixo. No Brasil, não há casos registrados. A vigilância foca na detecção rápida em viajantes vindo da Ásia para evitar a propagação por secreções respiratórias.
Vigilância intensificada contra o vírus Nipah
O Ministério da Saúde emitiu um comunicado urgente reforçando que o vírus Nipah não possui casos confirmados no Brasil. A preocupação global ressurgiu após o registro de dois novos casos na Índia no fim de janeiro, gerando uma onda de desinformação às vésperas do carnaval. A pasta afirma que o País mantém protocolos permanentes de vigilância e que o risco de uma pandemia é considerado baixo.
“Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), foram confirmados na Índia apenas dois casos, ambos entre trabalhadores de saúde, que tiveram contato com 198 pessoas já identificadas e testadas, todas com resultado negativo”, citou o ministério em nota oficial. O último registro naquele país ocorreu em 13 de janeiro, indicando que o surto está perdendo força.
Riscos de transmissão e potencial epidêmico
Embora o risco imediato no Brasil seja mínimo, o médico Benedito Fonseca, da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), alerta que o vírus tem potencial epidêmico. “O que temos de fazer é a detecção rápida de um caso possível, principalmente em uma pessoa que tenha vindo da Índia ou Bangladesh”, destaca o especialista.
A transmissão do vírus Nipah para humanos ocorre através de:
- Contato direto com animais infectados (como morcegos e porcos);
- Ingestão de alimentos contaminados por saliva ou urina de morcegos;
- Contato próximo com fluidos corporais ou gotículas respiratórias de pessoas infectadas.
Sintomas graves e falta de tratamento específico
O perigo do vírus Nipah reside em sua gravidade. O período de incubação varia de 4 a 14 dias, e os sintomas podem evoluir rapidamente para condições fatais. “Os sintomas iniciais são febre, dores no corpo, mal-estar geral, cefaleia e vômitos. Podem evoluir para uma doença respiratória muito grave e para o acometimento do sistema nervoso central, causando encefalite”, explica Fonseca.
Atualmente, não existe vacina nem tratamento específico comprovado. Médicos utilizam o antiviral remdesivir de forma compassiva, mas a conduta principal é o tratamento de suporte para controle de complicações. Os hospedeiros naturais do vírus, morcegos da família Pteropodidae, não existem no território brasileiro, o que reduz as chances de um ciclo de transmissão local sem introdução externa.
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