Ministério da Saúde confirma primeiro caso de coronavírus

Em entrevista coletiva concedida no final da manhã desta quarta-feira (26), o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, confirmou o primeiro caso de coronavírus no Brasil e detalhou as etapas que permitiram que as autoridades atestassem a infecção do paciente. Trata-se de um homem de 61 anos, de São Paulo, que esteve na Itália entre os dias 9 e 21 de fevereiro, a trabalho, e regressou ao Brasil com uma conexão aérea em Paris, na França.

Segundo Mandetta, está em curso o processo de localização das pessoas com quem o paciente teve contato. Há dois tipos de contato: o próximo, que em geral se dá com familiares por tempo prolongado e em esfera íntima, e o eventual, categoria em que se enquadram os indivíduos que passaram alguns momentos na presença do homem infectado.

No domingo (23), o homem passou a sentir os primeiros sinais de indisposição. No dia seguinte, no início da noite, ele foi ao Hospital Albert Einstein, na capital paulista, onde médicos atestaram sintomas respiratórios brandos. O primeiro teste para coronavírus deu positivo, e a contraprova, executada pelo Instituto Adolfo Lutz, obteve a mesma resposta. José Henrique Germann Ferreira, secretário estadual da Saúde de São Paulo, informou que o paciente está bem, em isolamento domiciliar, com a família. “Terminados os sintomas que ele apresentou, deixará a situação de paciente isolado e volta à sua vida normal”, disse Ferreira.

Wanderson Kleber de Oliveira, secretário de Vigilância em Saúde, apresentou números da epidemia. No mundo, até terça-feira (25), de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), havia 80.239 casos confirmados de coronavírus em 34 países. O número total de óbitos chegou a 2,7 mil. A China concentra 97% do total de casos. “Temos observado uma tendência de estabilização dos casos na China e um aumento expressivo no número de pessoas se recuperando da doença”, comentou Oliveira.

No Brasil, o número de casos suspeitos sendo investigados passou de quatro na terça-feira (25) — todos em São Paulo — para 20 nesta quarta-feira — 11 deles em São Paulo. Os demais estão distribuídos entre Paraíba, Pernambuco, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Os casos descartados, situação daqueles que foram investigados e se constataram outros vírus respiratórios, somam 59.

Mandetta destacou que o inverno se avizinha e fez menção especial ao Rio Grande do Sul. “Nossa Região Sul costuma ter o maior número de casos respiratórios. Devemos já estruturar o laboratório do Rio Grande do Sul para que possa processar esses exames lá. Existe um plano de contingência no Rio Grande do Sul. Teremos a inauguração do novo Hospital de Clínicas. Se tiver necessidade, ativaremos, se não, inauguraremos progressivamente”.

O ministro ressaltou, mais de uma vez, que não há fronteiras em um mundo globalizado, mas não criou alarmismo. “É mais uma gripe que a humanidade vai ter que atravessar. A transmissibilidade é similar à de determinadas gripes que a humanidade já ultrapassou”, falou Mandetta.

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