qua, 28 out 2026, 07:56:36

Morre ícone do jornalismo esportivo gaúcho

O jornalismo esportivo gaúcho perdeu um de seus nomes mais emblemáticos. Morreu na madrugada desta quarta-feira (28), aos 70 anos, Adroaldo Guerra Filho, o Guerrinha. Ele estava internado desde domingo (25) no Instituto de Cardiologia, em Porto Alegre, em decorrência de uma infecção pulmonar que evoluiu para um quadro generalizado. Até o momento, não haviam sido divulgadas informações sobre o velório e a despedida.

Integrante do Grupo RBS, Guerrinha construiu uma trajetória de mais de cinco décadas no jornalismo, marcada pela versatilidade, pelo carisma e pelo estilo irreverente. Suas opiniões diretas e frases de efeito conquistaram ouvintes, leitores e telespectadores, tornando-o uma das figuras mais conhecidas do esporte no Rio Grande do Sul.

Filho de Ieda e do radialista e rádio-ator Adroaldo Guerra, conhecido como Vovô Guerra, Guerrinha cresceu próximo ao universo da comunicação. Apesar da influência paterna, sua entrada no jornalismo ocorreu inicialmente pelas páginas dos jornais, enquanto acompanhava outra de suas grandes paixões: o turfe.

Do turfe ao futebol

Estudante de Jornalismo na PUCRS, publicou seus primeiros textos no Jornal Hoje, periódico criado pelo Grupo RBS nos anos 1970. Na sequência, trabalhou na cobertura das corridas de cavalos para a Folha da Manhã e o Correio do Povo, acompanhando de perto o cotidiano do Jockey Club.

Em 1983, retornou ao Grupo RBS, a convite de Emmanuel Mattos, para escrever sobre assuntos hípicos no jornal Zero Hora. Com o declínio do interesse pela cobertura do turfe, passou a trabalhar com futebol em 1993, assumindo a cobertura do Internacional.

A partir daí, consolidou seu espaço no jornalismo esportivo, acompanhando o dia a dia do clube colorado e conquistando reconhecimento pela capacidade de análise e pelo estilo próprio de contar histórias.

Consagração no rádio e na televisão

A trajetória no rádio ganhou força em 1999, quando passou a coapresentar o programa Falcão na Gaúcha, na Rádio Gaúcha. Em 2000, estreou a coluna Guerra Total, no Diário Gaúcho, marcada pelas perguntas provocativas e bem-humoradas sobre os assuntos do momento.

Em 2004, Guerrinha foi convidado a substituir Kenny Braga durante um período de férias no Sala de Redação, tradicional programa de debates esportivos da Rádio Gaúcha. A participação acabou se tornando permanente, e ele passou a integrar uma das bancadas mais conhecidas do rádio gaúcho.

Na televisão, também participou do programa Lance Final, da RBS TV, substituindo Ibsen Pinheiro como representante colorado nos debates sobre futebol.

Em 2014, ganhou uma atração própria na rádio com o Paredão do Guerrinha, programa de entrevistas e debates que manteve a irreverência e a espontaneidade características de sua comunicação.

Frases que marcaram época

O jeito peculiar de analisar o futebol, com ironia e comentários certeiros, tornou Guerrinha uma referência entre os comunicadores esportivos. Uma de suas tiradas mais conhecidas ficou marcada como a “Lei Guerrinha”, expressão popularizada por Pedro Ernesto Denardin para definir as mudanças feitas por treinadores quando uma estratégia parecia funcionar: “Se algo deu certo, então tem que mudar”.

Entre as frases que repetia estavam “Não se pode ir pra guerra com um secador de cabelo” e “Não dá pra servir farofa em restaurante com ventilador de teto”, exemplos do humor sarcástico que marcou sua carreira.

Embora fosse identificado com o Internacional, Guerrinha conquistou admiradores também entre os torcedores do Grêmio. A capacidade de provocar os dois lados, sem perder o bom humor, ajudou a consolidar sua imagem como um comunicador respeitado para além das rivalidades do futebol gaúcho.

Além do jornalismo, manteve durante toda a vida o interesse pelo turfe, pelos cavalos e pelas apostas, temas que renderam inúmeras histórias compartilhadas com colegas e ouvintes.

Guerrinha deixa a esposa, Kathia, as filhas Michelle e Karine e três netos. Sua morte representa uma perda para o jornalismo esportivo do Rio Grande do Sul, onde construiu uma identidade própria e uma relação duradoura com o público.

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