qui, 20 ago 2026, 14:36:53

MPSC ajuíza denúncia contra 164 pessoas apontadas como integrantes de facção; Há alvos na região

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) ajuizou a ação com o maior número de denunciados no contexto de facções criminosas da história da Instituição contra 164 indivíduos apontados como integrantes de uma facção criminosa. A ação, ajuizada pela 39ª Promotoria de Justiça da Capital, é resultado da Operação Coluna Sul, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO). 

Conforme a denúncia, os 164 denunciados estariam distribuídos em 12 núcleos organizacionais da facção criminosa, de acordo com as funções que exerceriam dentro da estrutura. A investigação apontou 31 denunciados posicionados nos níveis superiores de comando, 74 com funções intermediárias de coordenação, disciplina ou gestão operacional e 60 na base da organização. Há alvos em Concórdia, Lindóia do Sul e Arabutã.

Todos os 164 denunciados respondem pela suposta promoção ou integração de organização criminosa ultraviolenta, nos termos da nova Lei n. 15.358/2026, o que torna a pena a ser aplicada em caso de condenação mais alta. Além disso, o Ministério Público atribuiu a parte dos investigados outros crimes, sendo que 21 também são acusados de tráfico de drogas e três investigados também foram denunciados por comércio ilegal de armas de fogo.  

Além das condenações criminais, o MPSC requereu a fixação de indenização mínima de R$ 200 mil por denunciado a título de reparação pelos danos morais coletivos que teriam sido causados pelas atividades atribuídas à organização criminosa ultraviolenta. 

A facção criminosa 

Segundo a denúncia, a facção criminosa, com atividades em todo o país, mantinha uma estrutura organizada denominada “Coluna Sul”, responsável pela coordenação das atividades da facção em Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.  

De acordo com o Ministério Público, a organização criminosa ultraviolenta tinha uma rígida divisão de funções, hierarquia definida e setores especializados para recrutamento de integrantes, inclusive de adolescentes, comunicação interna, controle disciplinar, administração financeira, logística de armamentos e articulação entre membros em liberdade e custodiados no sistema prisional. 

As investigações identificaram a utilização de grupos de mensagens em aplicativos para transmissão de ordens, compartilhamento de informações estratégicas, cadastramento de integrantes, realização de procedimentos internos de disciplina e coordenação das atividades da organização em diferentes regiões do estado.  

Segundo a acusação, os canais também eram utilizados por integrantes presos para manter contato com lideranças externas e participar da gestão das atividades da facção. 

A 39ª Promotoria de Justiça sustenta, ainda, que a organização criminosa ultraviolenta mantinha um sistema próprio de controle de armamentos, com aquisição, cadastramento, armazenamento, manutenção e remanejamento de armas de fogo entre seus integrantes. Os elementos reunidos apontariam para a existência de responsáveis específicos pela compra, guarda, fornecimento e manutenção do arsenal utilizado pela facção. Há informações de que a facção contava com um integrante responsável pela alteração de equipamentos de “air-soft” para que pudessem ser utilizadas como armas de fogo. 

Outro aspecto apontado pelo Ministério Público na denúncia é a utilização de adolescentes na estrutura da organização, criminosa ultraviolenta, que tem adotado uma nova normativa interna, permitindo o “batismo” a partir dos 16 anos . Durante a investigação, foram identificados até mesmo procedimentos individualizados de ingresso, os “batismos”, de adolescentes.    

A Operação Coluna Sul 

A Operação Coluna Sul, considerada pelo MPSC a maior ação já realizada pelo GAECO no estado, foi deflagrada em 1º de julho com o objetivo de desarticular uma facção criminosa investigada por envolvimento com tráfico de drogas, associação para o tráfico, homicídios e porte ilegal de armas de fogo. A operação decorre de investigações iniciadas na Operação Maserati e foi coordenada pela 39ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital, com apoio de órgãos de segurança de diversos estados. 

A ofensiva ocorreu simultaneamente em seis estados brasileiros, abrangendo 30 municípios de Santa Catarina, além de cidades do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Na ocasião, foram cumpridos 132 mandados de busca e apreensão e realizadas 147 prisões, das quais oito em flagrante. Também foram apreendidos celulares, armas de fogo, munições, drogas, documentos e outros materiais considerados relevantes para a investigação.    

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