Outra vez. O filme repetido desde 2006 se viu aqui no MetLife, na calorenta tarde de East Ruterford. O Brasil perdeu para a Noruega por 2 a 1 e, de novo, caiu no primeiro mata em que cruzou com um europeu. Vimos isso em 2006, com a França, 2010, com a Holanda, 2014, nem é bom lembar, em 2018, com a Bélgica, e em 2022 com a Croácia. Estamos completando o mapa do War nosso de cada Copa. Perdemos pênalti, perdemos gol na cara do goleiro, perdemos o Mundial.
Haaland, duas vezes, nos liquidou e colocou ponto final numa Copa em que apostamos muito em Vini, e ele correspondeu, e acreditamos que Neymar, um espectro do craque que já foi, poderia fazer o milagre. Ele até fez o gol de honra no final. Mas não existe milagre, ainda mais nesse nível em que todos chegam no auge físico.
Os torcedores brasileiros ainda estavam fazendo aquela selfie para postar no Instagram quando a bola foi perdida no meio-campo e encontrou Odegaard livre na direita. Quando ele cruzou, havia um exército viking correndo em direção a Alisson e pedindo a bola.
Berg foi quem recebeu e colocou na rede. Por sorte, Odegaard estava impedido. A partir daí, a selfie ficou para depois. Viu-se que seria uma tarde nervosa, sem tempo para engajar nas redes sociais. O Brasil demorou para passar do meio-campo.
Os noruegueses marcavam com linha alta, pressionavam, pareciam famintos. Aos oito, porém, a Seleção saiu dessa pressão. Rayan recebeu de Danilo, tocou em Bruno que acionou Martinelli, a escolha de Carlo Ancelotti para o lugar de Paquetá. Martinelli ameaçou enveredar área dentro, mas brecou, deu meia-volta e acionou Matheus Cunha do lado oposto.
Ele colocaria o goleiro e a bola para dentro, mas veio um zagueiro norueguês deslizando como se fosse um trenó em alta velocidade e levantou o brasileiro. Todo mundo viu pênalti, menos o senhor Ismail Elfath, o árbitro norte-americano.
Pênalti e o cenário mais perfeito para o Brasil. Só que não. Burno Guimarães, o grande nome deste Brasil nesta Copa, ao lado de Vini, foi bater. Deu aquela sapateada e, quando chegou na bola, o goleirão Nyland, 1m92cm, estava parado como uma estátua. Bruno bateu fraco, a uns 50cm do gramado e entre o meio e o canto. Nyland se consagrou. As manchas vermelhas no estádio se agitaram. O mar amarelo recuou.
O jogo voltou ao início. A Noruega tentava propor algo, o Brasil se fechava. Quando recuperava, tentava acionar contra-ataque. Aos 17, Martinelli, outra vez, acionou Vini. O cruzamento foi interceptado. A Noruega, embora trocasse passes e chegasse à frente, a rigor, não ameaçava Alisson. O jogo ficou morno. Houve uma reação quando Jalen Brunson, astro do NY Knicks e campeão da NBA, apareceu no telão. A massa rugiu, ele respondeu com um sorriso e voltamos ao jogo.
O jogo de marcação e pouca emoção ganhou gás na reta final do intervalo. Aos 35, Odegaard recebeu pela direita e chutou na rede, por fora. Aos 36, depois de troca de passes, Haaland recebeu na área, de costas, e tentou encobrir Alisson. Refino está longe de ser predicado seu.
A resposta brasileira veio com força. Vini recuperou a bola no ataque, acionou Martinelli e recebeu na área. Deu corte seco no zagueiro e chutou forte, no canto. Nyland, reserva do Sevilla, defendeu com o tornozelo. Aos 47, Alisson mostrou por que é um dos melhores goleiros do mundo.
Halaand disputou com Gabriel, deu encontrão em Marquinhos, e a bola sobrou para Odegaard. Livre, ele avançou, deu três toques e colocou. Mas Alisson saiu tapando tudo e fez a defesa que pareceu gol. Aqui nas tribunas de imprensa, um repórter com sotaque paulista reagiu alto:
— Até que enfim ele defendeu uma!
Alisson já defendeu mais de uma, nesta Copa, inclusive. Mas somos assim, um tanto exigentes com alguns jogadores, principalmente, se o sotaque não soa bem no ouvido. Essa defesa permitiu à Seleção ir para o intervalo em igualdade. Assim como a defesa de Nyland no pênalti. Quando dois goleiros saem consagrados, se tem ideia do equilíbrio da partida.

Segundo tempo
A volta do intervalo foi reprise do primeiro tempo. A Noruega controlando, trocando passes, o Brasil com a marcação encaixada. Ancelotti chamou Endrick, aos 12, e tirou Cunha.
No primeiro lance de ataque do guri, Vini deu um passe de Trivela, com a bola fazendo uma parábola. Endrick entrou livre, mas a bola escapou um pouquinho, e ele colocou para fora. Seria o gol do Brasil.
Em seguida, Rayan deu chute forte, Nyland salvou. A Noruega chegou com perigo, mas por sorte Ajer é zagueiro e não tem pé esquerdo. O cruzamento para Haaland saiu forte demais. Ancelotti então chamou Danilo Santos e Neymar. Reforçou o meio com tripé e colocou Neymar de falso nove. Endrick foi para o lado direito.
A torcida se agitou com Neymar e depois se levantou do assento a cada vez que tocava na bola. Os noruegueses responderam com a remada viking. Eles eram em menor número, mas fizeram o showzinho deles. Ancelotti fez a última troca, para colocar Ederson na vaga de Bruno.
Queria reforçar a marcação pela direita. Foi ali que Schjelderup ganhou de Endrick e cruzou. Haaland antecipou-se a Gabriel e fez de cabeça, a 10 minutos no final. Os noruegueses na arquibancada rugiram como fazia Hagar, o Horrível, depois de entornar sua caneca de cerveja.
Haaland ainda fez o segundo e nos mandou de volta para casa. Neymar descontou de pênalti no final.
Remamos, remamos e caímos para quem passou a Copa remando. Mais uma vez, voltamos no primeiro europeu.
Gaúcha/ZH



