dom, 8 fev 2026, 23:44:25

Caso Guaraipo completa 5 anos. Mãe e filha foram executadas

Divulgação

Completa cinco anos nesta terça-feira, 30, o Caso Guaraipo de Arabutã. Em 30 de março de 2016 Lisete Lohmann, (41 anos) e a filha Stefany (10 anos) foram mortas com tiros na cabeça. Valdir Dannenhauer, companheiro de Lisete, foi ferido, mas sobreviveu. O crime, cometido, conforme a fase policial, por três encapuzados, foi na casa de Lisete na comunidade de Guaraipo. Um menor foi sentenciado. O adulto Nécio Hoch, contratado pelo filho de Valdir para o ato, foi julgado e condenado a 33 anos.

Nécio Hoch, que inicialmente foi condenado a 26 anos e três meses, cumpre 33 anos e 10 meses de reclusão, em regime fechado. Sua pena poderia ter sido ainda maior, mas ele acabou beneficiado por fazer uma delação premiada e, desta forma, auxiliar na elucidação do crime.

Conforme o Ministério Público os crimes foram cometidos por encomenda. Nécio recebeu R$ 10 mil do filho da vítima da tentativa (Genoir, condenado a mais de 81 anos. Leia abaixo), o qual pretendia com isso ter acesso à sua herança de forma antecipada, já que o pai dilapidava seu patrimônio.

O mandante (Genoir), o executor (Nécio) e mais um adolescente, todos com touca balaclava, foram até a residência da vítima e invadiram o imóvel pela porta de acesso à garagem. Na oportunidade, a vítima jogava baralho com sua companheira e a enteada. Os criminosos separaram as vítimas. Sob a mira de um revólver calibre 32, a mulher e a criança foram colocadas em um dos cômodos. Já o alvo principal foi amarrado. Durante as intimidações e ameaças, a mulher reconheceu o adolescente e, por isso, as duas foram assassinadas.

Ato contínuo, o homem também foi baleado com dois disparos. Os criminosos presumiram que não havia sobreviventes e fugiram na caminhonete da vítima, com o objetivo de despistar a polícia e simular um latrocínio – roubo seguido de morte. O homem, entretanto, foi socorrido por um vizinho e sobreviveu para explicar o caso. O desembargador Sérgio Rizelo, relator da matéria, não teve dúvida sobre a premeditação do crime.

JULGAMENTO DE GENOIR
Aos 20 minutos da madrugada da quinta (27/9/2018) saiu o veredito do julgamento de Genoir Dannenhauer que aconteceu em Ipumirim: 81 anos, 5 meses e 10 dias em regime inicialmente fechado e negado o direito de recorrer em liberdade. A defesa alegou que ele não poderia ser condenado por mortes de mãe e filha, pois não estava no local do crime e contratou matadores para tirar a vida do seu pai. Já a acusação sustentou que os três, menor, Nécio Hoch e Genoir, foram co-autores. Também defendeu que Genoir, além de mandante, esteve sim na cena do crime.

São 24 anos pela morte de Lisete Lohmann, 28 anos pela morte de Stefany Lohmann e 24 anos pela tentativa contra Valdir Dannenhauer, todas com qualificadora. Mais 1 ano e 4 meses por corrupção de menores e 4 anos e 1 mês por porte ilegal de arma.

A reportagem da Rural/96 acompanhou o julgamento, no local, nas 15 horas de duração. Marcos Feijó e Juliane Rell estiveram na cobertura.

O depoimento do réu Genoir Dannenhauer em seu julgamento popular do caso Guaraipo, no Fórum de Ipumirim: ele citou que havia problemas pendentes, devido a separação dos pais. Argumentou que estava se sentindo “contra a parede” e que “a solução que eu tive foi contratar um matador de aluguel para matar meu pai”. Genoir falou que não encomendou a morte por herança, mas porque seu pai maltratava a sua mãe. No fim de sua fala pediu atenção dos jurados e disse que estava arrependido e que está pagando pelo que fez (contratar para a morte do pai), mas que não poderia pagar por erro dos outros (mortes de mãe e filha).

Confira algumas frases de Genoir durante depoimento:
“Não entrei na casa, pois não queria ver a morte do meu pai para não ficar com trauma”

“E só paguei, depois, R$ 3 mil dos R$ 10 mil combinados, porque não era para morrer mãe e filha”

-Juíza: Sobre a tentativa contra seu pai, como se sente?” – Genoir: “Se tivesse como voltar atrás consertaria tudo. Estou arrependido” 

– Juíza: “Sobre morte de mãe e filha”? – Genoir: “Me comovi demais”.

Presidiu a sessão a juíza Marciana Fabris. Trabalhou na acusação o promotor de Justiça Lucas dos Santos Machado e como assistente de acusação o advogado Wellington Berner Pereira. Na defesa de Genoir estiveram os advogados Armando Briani e Eluan Schmidt.

O crime de Guaraipo ocorreu na véspera do aniversário de emancipação político-administrativa de Arabutã.

Rádio 96 FM

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