A engenheira agrônoma Giulia Fabrin Scussel, natural de Seara, no Oeste de Santa Catarina, conquistou reconhecimento nacional ao integrar a lista das 100 Mulheres Poderosas do Agronegócio, da revista Forbes Brasil. Aos 29 anos, ela reúne uma trajetória marcada pelo empreendedorismo, pela pesquisa e pela atuação em defesa da apicultura catarinense.
Em agosto deste ano, Giulia alcançou outro marco importante ao se tornar a primeira mulher a presidir a Federação das Associações de Apicultores e Meliponicultores de Santa Catarina (FAASC). A eleição ocorreu por unanimidade entre os presidentes das associações que integram o conselho da entidade.
À frente da federação, a searaense busca descentralizar as decisões, aproximando a entidade das diferentes regiões produtoras do estado. Entre as prioridades estão o fortalecimento da marca do mel catarinense, a valorização dos produtores locais, a inclusão dos criadores de abelhas sem ferrão no associativismo e a ampliação da presença do produto no mercado internacional.
Em entrevista, Giulia destacou a importância de suas origens para a construção da carreira. “O campo me criou, e minhas raízes sempre foram muito presentes na minha trajetória. Na Agronomia, encontrei uma forma de unir essa ligação com a natureza à curiosidade de entender como as coisas funcionam e como podemos produzir melhor”, afirmou.

Pesquisa acadêmica aproximou Giulia das abelhas
Formada em Agronomia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde também concluiu o mestrado, Giulia teve os primeiros contatos com a FAASC durante sua trajetória acadêmica. Seus estudos foram voltados ao mel de melato da bracatinga, produto em que Santa Catarina se destaca nacionalmente.
No trabalho de conclusão de curso, ela pesquisou as cochonilhas, insetos que fornecem substâncias utilizadas pelas abelhas na produção desse tipo de mel. O tema foi aprofundado durante o mestrado e contribuiu para consolidar seu interesse pelo setor.
“Fui conhecendo diferentes caminhos, e as abelhas se tornaram uma paixão que hoje conecta meu trabalho como agrônoma, empreendedora e representante do setor”, relatou.
Negócio começou com R$ 600 em uma garagem
Além da atuação na área agrícola, Giulia também é uma das fundadoras da Néctar Hidromel, primeira hidromelaria de Florianópolis. O empreendimento começou em 2020, quando ela e três colegas da faculdade decidiram apostar na produção artesanal da bebida, utilizando o mel como principal ingrediente.
O projeto teve início em uma garagem, com investimento total de R$ 600, sendo R$ 150 de cada sócio. A ideia surgiu a partir de experiências acadêmicas, especialmente em uma disciplina de fermentação, na qual o grupo aprendeu técnicas para produzir hidromel de qualidade.
A iniciativa ganhou força e se transformou em uma empresa que já conquistou reconhecimento em concursos do setor. Em 2025, a Néctar Hidromel recebeu seis medalhas no Brasil Cup, considerado um dos principais concursos de bebidas da América Latina. A empresa também foi reconhecida no Prêmio Inovação Catarinense, promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc).
O hidromel é uma bebida milenar produzida tradicionalmente a partir da fermentação de água, mel e fermento. Na Néctar, as receitas valorizam ingredientes naturais brasileiros e combinam mel catarinense com frutas e especiarias, como chá-mate, limão, butiá e tangerina com gengibre.
Os produtos são comercializados em bares e lojas de Santa Catarina, com graduação alcoólica que varia de 4% a 14% em volume.
A trajetória de Giulia evidencia como a formação acadêmica, a valorização das raízes regionais e o espírito empreendedor podem abrir caminhos para o reconhecimento nacional, fortalecendo também a apicultura e a produção catarinense.
Há poucas semanas a Belos FM e o jornal Folhasete entrevistaram Giulia Fabrin Scussel quando ela havia assumido a FAASC.
Colaborou: G1/SC





