O prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), confirmou nesta quinta-feira (26), em Florianópolis, a pré-candidatura ao governo de Santa Catarina nas eleições de 2026. O anúncio foi feito durante coletiva de imprensa realizada na sede do União Brasil, após reunião entre lideranças do PSD, MDB, Progressistas e União Brasil, que decidiram apoiar o projeto eleitoral.
Durante a coletiva, Rodrigues afirmou que a decisão ocorreu após uma série de reuniões e avaliações com aliados. Segundo ele, a definição representou a construção de um projeto alternativo para o estado.
“Depois de muita reunião, muita discussão e avaliação, atendendo ao apelo dos nossos aliados, aceitamos o desafio de participar desse processo. Só a pré-candidatura já contribui com o Estado, porque fez o atual governo trabalhar e liberar recursos. Agora vamos apresentar um projeto diferente, um projeto alternativo para os catarinenses, com planejamento de Estado”, declarou.
Pelo acordo político, o MDB deverá indicar o candidato a vice-governador na chapa, enquanto o Progressistas tende a indicar o senador Esperidião Amin como candidato à reeleição ao Senado. A definição do nome emedebista ainda deve ocorrer internamente na sigla.
Rodrigues afirmou que a aliança representa uma articulação inédita na política catarinense, ao reunir partidos historicamente adversários.
“Aqui nós estamos fazendo história, porque pela primeira vez os principais adversários estão juntos. MDB e PP nunca caminharam juntos no governo do Estado. Todos compreenderam que é hora de nos unirmos por Santa Catarina”, afirmou.
O encontro contou com a presença de lideranças políticas, entre elas os ex-governadores Eduardo Pinho Moreira (MDB) e Raimundo Colombo (PSD), além de dirigentes partidários e parlamentares.

MDB defende participação na chapa
O presidente estadual do MDB e deputado federal Carlos Chiodini afirmou que a aliança reúne partidos com tradição política no estado e que o objetivo da sigla é integrar um projeto majoritário.
“Acho que é uma aliança que vem congregar, é uma aliança forte. Começa pela presença de partidos históricos e transmite a verdadeira política, com viabilidade para essas eleições”, disse.
Chiodini ressaltou que o MDB pretende participar da chapa majoritária e que a definição do projeto influenciou a decisão de João Rodrigues de avançar na disputa estadual.
“O MDB tem vontade de participar de um projeto majoritário. Isso sempre foi muito claro. A minha missão como presidente do MDB é conduzir o partido participando de um projeto majoritário, um projeto vencedor. A participação do MDB foi um dos predicados para que o prefeito João entendesse e marcasse a data da sua renúncia”, afirmou.
Segundo ele, a partir da definição do projeto, os partidos devem iniciar discussões internas para consolidar a aliança.
“Agora vamos discutir com os partidos internamente e buscar o que eu chamo de sinergia, que é a soma das energias”, acrescentou.
Amin defende debate sobre o futuro do estado
O senador Esperidião Amin (PP), que é cotado para disputar a reeleição ao Senado na chapa, afirmou que o momento representa o início de uma nova articulação política no estado.
“Hoje é o dia do nascimento, civil e juridicamente perfeito, de uma federação. É uma união progressista. É um dia muito especial”, declarou.
Segundo o senador, a decisão de João Rodrigues de disputar o governo reforça a possibilidade de o Progressistas integrar a chapa majoritária.
“Com essa decisão do prefeito João Rodrigues, eu vou lutar para que o meu partido faça parte da chapa majoritária, assim como luto por Santa Catarina e pela democracia”, afirmou.
Amin também destacou que a disputa eleitoral deverá ampliar o debate sobre temas estruturais do estado.
“O povo catarinense termina este dia mais rico, porque vai poder escolher. Nós vamos elevar o debate. Não vai ser um debate de coisinhas. Precisamos planejar nossa logística, investir em infraestrutura e discutir concessões para obras que o governo não tem recursos para fazer”, disse.
O senador ainda destacou que a união entre MDB e Progressistas representa uma convergência política construída a partir da experiência das duas siglas.
“O MDB e os Progressistas ajudaram decisivamente a construir o Estado. Essa competição que tivemos no passado se revela agora numa possibilidade real de coligação para trazer essa experiência”, afirmou.
Renúncia à prefeitura
Durante a coletiva, João Rodrigues também confirmou que deixará o cargo de prefeito de Chapecó para disputar o governo estadual. Segundo ele, a renúncia já estava prevista desde a campanha de reeleição no município.
“Quando fui candidato à reeleição, anunciei que estaria com a renúncia preparada no meio do mandato para disputar o governo do Estado. Preparamos o vice, escolhemos alguém capacitado. Não é improviso”, afirmou.
O prefeito disse que pretende levar para o debate estadual a experiência de gestão no município.
“O modelo Chapecó de governar é isso que vamos mostrar para Santa Catarina. A discussão não é apenas ideológica, é sobre capacidade de governar, respeitar adversários e cuidar das pessoas”, declarou.
Rodrigues também criticou a relação do atual governo estadual com o governo federal. Segundo ele, é necessário manter diálogo institucional independentemente de posições políticas.
“O único governador do Brasil que não pediu audiência com o presidente da República foi o atual governador. Governador governa para os catarinenses e precisa dialogar para resolver os problemas do Estado”, disse.
Próximos passos da articulação
Durante a coletiva, Rodrigues afirmou que a prioridade inicial da aliança envolve os quatro partidos que participaram da reunião, mas não descartou conversas com outras siglas.
“A nossa aliança vai gravitar em torno desses partidos, mas sempre haverá diálogo com outras siglas que pretendam caminhar conosco”, afirmou.
Amin também afirmou que o próximo passo será ampliar o diálogo pelo estado.
“O próximo passo é correr o Estado e falar com o povo. O prefeito é importante, mas mais importante é quem o elegeu”, disse.
A renúncia ao cargo de prefeito está prevista para o fim de março. Com isso, Rodrigues deverá passar a se dedicar à construção da candidatura ao governo catarinense.








